Uma vez conheci um cara bem otimista.
Desses que a gente encontra no espelho sabe?
Infelizmente foi só uma vez.
Microconto #154
- Adoro quando você fala dormindo. Hoje, por exemplo, aconteceu de novo. Só que mais uma vez não foi o meu nome que você disse.
Categoria:
Microcontos
Microconto #153
As coisas que ela mais gostava eram exatamente as que ele menos fazia.
Categoria:
Microcontos
Resposta a um e-mail provocativo
Ah se essas palavras estivessem cá,
ao pé d’ouvido.
Não responderia por meu corpo.
Ah se essas palavras estivessem cá,
ao pé d’ouvido.
Não obedeceria meus limites.
Ah se essas palavras estivessem cá,
ao pé d’ouvido.
Quereria tu não as ter pronunciado.
Ah se essas palavras estivessem cá,
ao pé d’ouvido.
Seria pouca tua imaginação pra responder o prazer.
Ah malditas palavras que cá não estão.
Que fazem de ti bendita,
e ainda viverá até o próximo gozo.
ao pé d’ouvido.
Não responderia por meu corpo.
Ah se essas palavras estivessem cá,
ao pé d’ouvido.
Não obedeceria meus limites.
Ah se essas palavras estivessem cá,
ao pé d’ouvido.
Quereria tu não as ter pronunciado.
Ah se essas palavras estivessem cá,
ao pé d’ouvido.
Seria pouca tua imaginação pra responder o prazer.
Ah malditas palavras que cá não estão.
Que fazem de ti bendita,
e ainda viverá até o próximo gozo.
Categoria:
Mais que micro e menos que conto
Deixa ela entrar
.
.
Fazendo parte da 33ª Mostra Internacional de Cinema, Deixa Ela Entrar é um filme considerado atípico.
Numa época onde os sucessos hollywoodianos estouram de bilheteria com filmes comercias contando histórias de vampiros, o diretor Tomas Alfredson consegue fazer diferente. O filme sueco é uma história de vampiro pra gente grande.
Apesar do enredo simples e com alguns clichês, é possível perceber detalhes de câmera, roteiro e fotografia que dificilmente um filme de terror poderia apresentar.
Inteligente, nada grotesco e ao mesmo tempo delicado, o longa acumula até o momento mais de 40 (já perdi a conta) prêmios internacionais. Não só como roteiro mas como referência para o cinema, cogita-se já a possibilidade dele ser regravado em hollywood. O que convenhamos, ganharia muito em investimento enquanto paralelamente, perderia muito na simplicidade.
Fazendo parte da 33ª Mostra Internacional de Cinema, Deixa Ela Entrar é um filme considerado atípico.
Numa época onde os sucessos hollywoodianos estouram de bilheteria com filmes comercias contando histórias de vampiros, o diretor Tomas Alfredson consegue fazer diferente. O filme sueco é uma história de vampiro pra gente grande.
Apesar do enredo simples e com alguns clichês, é possível perceber detalhes de câmera, roteiro e fotografia que dificilmente um filme de terror poderia apresentar.
Inteligente, nada grotesco e ao mesmo tempo delicado, o longa acumula até o momento mais de 40 (já perdi a conta) prêmios internacionais. Não só como roteiro mas como referência para o cinema, cogita-se já a possibilidade dele ser regravado em hollywood. O que convenhamos, ganharia muito em investimento enquanto paralelamente, perderia muito na simplicidade.
Categoria:
Arte e Cultura,
Filmes,
Indicações
Microconto #152
Descobriu que àquela hora da noite os arbustos não costumavam se mexer sozinhos.
Categoria:
Microcontos
Microconto #151
Quando o pai entrava no quarto da pequena, junto com a tranquilidade, morria também a inocência.
Categoria:
Microcontos
Microconto #150
Pensou em escrever uma autobiografia repleta de realizações pessoais.
Só não foi em frente por falta de conteúdo.
Categoria:
Microcontos
A mulher que escreveu a Bíblia - Moacyr Scliar
.
.
Acho que o que me fez ficar muito em dúvida se gostava ou não do romance, foi a mistura de linguagens. Não que seja ruim experimentar mas, não sei se a dosagem foi boa.
No romance, por meio de uma terapia de vidas passadas, a personagem principal descobre ter sido “responsável” por escrever a Bíblia (óbvio). Ela é uma das 700 mulheres de Salomão, a mais feia de todas e até passa por situações interessantes.
O legal do texto é justamente a criação de Scliar pra desenhar e explicar os acontecimentos em cima de todo o trabalho da tal escrita. Acho que aí ficou o problema, esses, que são os detalhes mais legais na construção da narrativa, foram os menos explorados.
O livro rendeu a Scliar, o Prêmio Jabuti em 2000. Scliar levou agora em 2009, mais um Jabuti na categoria romance, com o livro Manual da Paixão Solitária.
O mais engraçado é que o Jabuti, de uns tempos prá cá, já não vem agradando muita gente, ou pela repetição, ou pelo julgamento, ou às vezes, por causa de algumas qualidades. Não generalizemos, claro, mas espero que eu goste mais dessa nova obra de Scliar.
Li esse ano coisas bem melhores, mas fica a dica pra quem quiser discutir opiniões: A mulher que escreveu a Bíblia - Moacyr Scliar.
Acho que o que me fez ficar muito em dúvida se gostava ou não do romance, foi a mistura de linguagens. Não que seja ruim experimentar mas, não sei se a dosagem foi boa.
No romance, por meio de uma terapia de vidas passadas, a personagem principal descobre ter sido “responsável” por escrever a Bíblia (óbvio). Ela é uma das 700 mulheres de Salomão, a mais feia de todas e até passa por situações interessantes.
O legal do texto é justamente a criação de Scliar pra desenhar e explicar os acontecimentos em cima de todo o trabalho da tal escrita. Acho que aí ficou o problema, esses, que são os detalhes mais legais na construção da narrativa, foram os menos explorados.
O livro rendeu a Scliar, o Prêmio Jabuti em 2000. Scliar levou agora em 2009, mais um Jabuti na categoria romance, com o livro Manual da Paixão Solitária.
O mais engraçado é que o Jabuti, de uns tempos prá cá, já não vem agradando muita gente, ou pela repetição, ou pelo julgamento, ou às vezes, por causa de algumas qualidades. Não generalizemos, claro, mas espero que eu goste mais dessa nova obra de Scliar.
Li esse ano coisas bem melhores, mas fica a dica pra quem quiser discutir opiniões: A mulher que escreveu a Bíblia - Moacyr Scliar.
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Arte e Cultura,
Críticas,
Indicações,
Livros
Microconto #149
Desfilava nas noites paulistanas com roupa apertada, fantasias inconscientes e só não conseguia mais dinheiro por causa do volume frontal na calça.
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Microcontos
Microconto #148
A mão caiu junto com o corpo.
A cabeça achou o travesseiro,
o braço o chão
e o vidro a cadeira, revelando pra cima seu rótulo assassino.
A cabeça achou o travesseiro,
o braço o chão
e o vidro a cadeira, revelando pra cima seu rótulo assassino.
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Microcontos
Microconto #147
As nuvens levaram uns 3 animais,
do meu sorvete metade já deslizou e o papai,
com a bola,
continua brincando de morto na poça de sangue.
do meu sorvete metade já deslizou e o papai,
com a bola,
continua brincando de morto na poça de sangue.
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Microcontos
Subject - Sem assunto
Baby?
Passa aqui em casa antes de trabalhar. Passa?
Queria ralar minha língua na sua pele,
suar minha mão em seu prazer,
me acabar com seu corpo,
percorrer suas curvas,
encontrar brechas e me perder de amor.
Baby?
Passa aqui em casa antes de estudar. Passa?
Queria mostrar que no mapa do seu corpo todo ponto é G,
te ensinar que na cama o português pode ser errado,
que foder também dá pra conjugar,
que um mais um somos nós dois,
que sexo é orgânico e dois corpos ocupam o mesmo lugar.
Baby?
Passa aqui em casa depois que esse e-mail acabar. Passa?
Passa aqui em casa antes de trabalhar. Passa?
Queria ralar minha língua na sua pele,
suar minha mão em seu prazer,
me acabar com seu corpo,
percorrer suas curvas,
encontrar brechas e me perder de amor.
Baby?
Passa aqui em casa antes de estudar. Passa?
Queria mostrar que no mapa do seu corpo todo ponto é G,
te ensinar que na cama o português pode ser errado,
que foder também dá pra conjugar,
que um mais um somos nós dois,
que sexo é orgânico e dois corpos ocupam o mesmo lugar.
Baby?
Passa aqui em casa depois que esse e-mail acabar. Passa?
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Mais que micro e menos que conto
Microconto #146
O trabalho artístico no mosaico da calçada foi inútil aos olhos do desesperado fugitivo.
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Microcontos
Microconto #145
A aflição trazia melodia,
ao coração dos taciturnos,
e assim era escrita e cantada,
fundo,
fundo,
fundo.
ao coração dos taciturnos,
e assim era escrita e cantada,
fundo,
fundo,
fundo.
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Microcontos
Revista Imagine
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Saiu agora em outubro a Revista Imagine, uma parceria da Telefônica com a TVA, essa edição de número 5 conta com uma reportagem exclusiva sobre produção de literatura na web. Separei um trecho da reportagem que fala sobre os trabalhos desenvolvidos por Marcelino Freire, Samir Mesquita e por mim. Confere aí.
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Arte e Cultura,
Blogs
Microconto #144
Ele pintou pensando em uma,
ela posou pensando em outro
e o que faltou pra obra ficar completa foi só um pouco de coincidência amorosa.
ela posou pensando em outro
e o que faltou pra obra ficar completa foi só um pouco de coincidência amorosa.
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Microcontos
Microconto #143
Quando terminou, olhou bem fundo nos olhos e perguntou:
- Casa comigo?
Ela sorriu com pena. Era a primeira vez dele, mas a 34ª dela.
- Casa comigo?
Ela sorriu com pena. Era a primeira vez dele, mas a 34ª dela.
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Microcontos
Microconto #142
Fazia um grafite que era reflexo dos seus problemas pessoais.
Criava obras de arte na cor vermelho–sangue.
Criava obras de arte na cor vermelho–sangue.
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Microcontos
O livro esquecido depois do fim
Não mesmo.
Não volte pra buscá-lo, na esperança de um sexo descompromissado, daqueles gostosos que só você sabe fazer.
Tocando-me de um jeito único, molhando-me com sua saliva e me arrepiando em sua respiração.
Não mesmo.
Não me venha com esse jeito safada que eu amo, de mancinho, me pegando de noite por baixo do lençol.
Não mesmo.
Deixe-me sozinho. Não quero essa boca em meu corpo.
Não mesmo?
Não volte pra buscá-lo, na esperança de um sexo descompromissado, daqueles gostosos que só você sabe fazer.
Tocando-me de um jeito único, molhando-me com sua saliva e me arrepiando em sua respiração.
Não mesmo.
Não me venha com esse jeito safada que eu amo, de mancinho, me pegando de noite por baixo do lençol.
Não mesmo.
Deixe-me sozinho. Não quero essa boca em meu corpo.
Não mesmo?
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Mais que micro e menos que conto
Microconto #141
Depois que ela partiu, a necessidade de estar acompanhado fez com que pedisse pra ser enterrado na cova ao lado.
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Microcontos
Microconto #140
Os humanos sem chuveiro, dividiam em casa, sob o teto de uma noite fria, os restos de comida, que os cães não queriam.
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Microcontos
Microconto #139
A chuva a fez lembrar da infância, não pelo som, mas pela piscina que sua casa virou.
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Microcontos
Microconto #138
Conheceram-se no chat, trocaram scraps, intimidades no MSN, sexo pela cam e só terminaram depois de um e-mail dele com vírus.
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Microcontos
Osasco - Jurubatuba
O que fazia ele acreditar que aquela conversa no Nextel era interessante pra todo mundo?
Daqui do fundo, no meu banco, eu conseguia ouvir toda a rotina dele, fracionada, mas ouvia.
Trabalho, praia, mulheres, futebol e fim de semana eram palavras que eu identificava mais facilmente.
Não, e não era só eu que tava envolvido na conversa não, tinha uma tiazinha do meu lado, com uma sacola branca do Carrefour no meio das pernas, que tava prestando, acho que até mais atenção do que eu.
O trem tava cheio, não tinha gente de pé, mas todos os lugares estavam ocupados.
Na minha frente era engraçado, tinha uma menina que acordou e chegou a tirar um dos fones do ouvido só pra ficar prestando atenção na conversa do cara do Nextel.
E lá no fundo continuava o diálogo público, um bip ele falava, outro bip ele ouvia.
O cara do outro lado era corinthiano, dava pra saber porque o de cá lembrou da derrota no jogo de ontem, que por sinal foi merecida. Erraram muitos passes, chutaram pouquíssimo, e fora que assim a gente continua na frente da tabela.
Como o trem ia em silêncio, a única distração acabou sendo mesmo a conversa dele. Às vezes até saia umas coisas engraçadas. Foi numa dessas que a menina da frente olhou pra mim e deu risada. Bem, isso era um sinal, acho que daqui sai alguma coisa, pensei comigo. Na próxima brecha dela eu solto um comentário.
O papo continuou, assim como as trocas de olhares ansiosos por uma iniciativa. Acho que ela esperava eu falar alguma coisa, tipo, ela, sozinha, no trem, não ia falar comigo, além de dada ia parecer fofoqueira né? Puxou papo comigo sobre a conversa dos outros? Não, ela não ia falar. Se eu quisesse conhecer a menina da frente eu teria que abrir a boca.
Mais umas duas estações passaram, o papo continuava e eu também, esperando outro sorrisinho convidativo. Já nem prestava mais tanta atenção na conversa, fiquei aguardando o gancho pra soltar um comentário na hora certa.
Paramos na terceira estação, acho. A porta abriu e entrou um filha da puta de boné pra trás com um celular na mão ouvindo funk no último volume. O som abafou a conversa do Nextel, ninguém do lado de cá conseguia ouvir mais nada. Aí, a menina da frente colocou o fone de volta no ouvido, encostou a cabeça no vidro, fechou os olhos e voltou a dormir.
Sempre tem um pra ouvir música no celular.
Ah essa merda de tecnologia.
Daqui do fundo, no meu banco, eu conseguia ouvir toda a rotina dele, fracionada, mas ouvia.
Trabalho, praia, mulheres, futebol e fim de semana eram palavras que eu identificava mais facilmente.
Não, e não era só eu que tava envolvido na conversa não, tinha uma tiazinha do meu lado, com uma sacola branca do Carrefour no meio das pernas, que tava prestando, acho que até mais atenção do que eu.
O trem tava cheio, não tinha gente de pé, mas todos os lugares estavam ocupados.
Na minha frente era engraçado, tinha uma menina que acordou e chegou a tirar um dos fones do ouvido só pra ficar prestando atenção na conversa do cara do Nextel.
E lá no fundo continuava o diálogo público, um bip ele falava, outro bip ele ouvia.
O cara do outro lado era corinthiano, dava pra saber porque o de cá lembrou da derrota no jogo de ontem, que por sinal foi merecida. Erraram muitos passes, chutaram pouquíssimo, e fora que assim a gente continua na frente da tabela.
Como o trem ia em silêncio, a única distração acabou sendo mesmo a conversa dele. Às vezes até saia umas coisas engraçadas. Foi numa dessas que a menina da frente olhou pra mim e deu risada. Bem, isso era um sinal, acho que daqui sai alguma coisa, pensei comigo. Na próxima brecha dela eu solto um comentário.
O papo continuou, assim como as trocas de olhares ansiosos por uma iniciativa. Acho que ela esperava eu falar alguma coisa, tipo, ela, sozinha, no trem, não ia falar comigo, além de dada ia parecer fofoqueira né? Puxou papo comigo sobre a conversa dos outros? Não, ela não ia falar. Se eu quisesse conhecer a menina da frente eu teria que abrir a boca.
Mais umas duas estações passaram, o papo continuava e eu também, esperando outro sorrisinho convidativo. Já nem prestava mais tanta atenção na conversa, fiquei aguardando o gancho pra soltar um comentário na hora certa.
Paramos na terceira estação, acho. A porta abriu e entrou um filha da puta de boné pra trás com um celular na mão ouvindo funk no último volume. O som abafou a conversa do Nextel, ninguém do lado de cá conseguia ouvir mais nada. Aí, a menina da frente colocou o fone de volta no ouvido, encostou a cabeça no vidro, fechou os olhos e voltou a dormir.
Sempre tem um pra ouvir música no celular.
Ah essa merda de tecnologia.
Categoria:
Crônicas e Contos
Microconto #137
Quando acordou e viu que o sol não estava lá, descobriu que era o início de uma grande insônia.
Categoria:
Microcontos
Microconto #136
Riscava no batente da porta a altura do filho que não mudava tanto quanto a largura. Mãe é mãe, mas nunca assumiria problemas genéticos.
Categoria:
Microcontos
Microconto #135
Os planos futuros da infância agora são passado.
Vasculha a memória procurando onde foram esquecidos.
Vasculha a memória procurando onde foram esquecidos.
Categoria:
Microcontos
Amor suburbano
Como parte do cotidiano, a luz vermelha é acesa, e uma multidão vai se unindo, cada um esperando o seu momento.
Vultos que buscam suas posições, confundem rapidamente minha visão.
E na busca de liberdade visual, meus olhos são presos por aquela beleza.
Com movimentos desacelerados, mesmo assim, consegue fugir de toda minha velocidade.
A brisa, agora, assume um outro aroma quando cruza aqueles cabelos.
O tempo que deveria congelar, passa a ser mais rápido, e aquela caixa com duas luzes, começa novamente a dar sinal de mudança.
Agora é a vez do verde.
Os corpos são deslocados para frente, coordenados por uma rotina fria.
O corpo dela começa a fugir da minha visão, e dos outros sentidos também.
E ainda assim, sinto o rastro de seu aroma entre os obstáculos humanos da cidade.
O resquício visual do contorno de um corpo, que inferioriza os outros, ainda se faz presente no meio da multidão.
Mas, pouco a pouco, o brilho que reflete naquela pele, vai desaparecendo.
Já quase não é mais possível acompanhar o trajeto. As pessoas não imaginam que ali acontece um romance, e assim tomam minha frente.
Sua velocidade e minha necessidade aumentam, da mesma forma que a distância entre os nossos corpos.
Quando menos se percebe, ela desaparece no aglomerado humanóide, e, como o encontro; em fração de segundos; o desencontro.
Nunca mais aquele semáforo será mesmo.
Saudades prematuras.
Vultos que buscam suas posições, confundem rapidamente minha visão.
E na busca de liberdade visual, meus olhos são presos por aquela beleza.
Com movimentos desacelerados, mesmo assim, consegue fugir de toda minha velocidade.
A brisa, agora, assume um outro aroma quando cruza aqueles cabelos.
O tempo que deveria congelar, passa a ser mais rápido, e aquela caixa com duas luzes, começa novamente a dar sinal de mudança.
Agora é a vez do verde.
Os corpos são deslocados para frente, coordenados por uma rotina fria.
O corpo dela começa a fugir da minha visão, e dos outros sentidos também.
E ainda assim, sinto o rastro de seu aroma entre os obstáculos humanos da cidade.
O resquício visual do contorno de um corpo, que inferioriza os outros, ainda se faz presente no meio da multidão.
Mas, pouco a pouco, o brilho que reflete naquela pele, vai desaparecendo.
Já quase não é mais possível acompanhar o trajeto. As pessoas não imaginam que ali acontece um romance, e assim tomam minha frente.
Sua velocidade e minha necessidade aumentam, da mesma forma que a distância entre os nossos corpos.
Quando menos se percebe, ela desaparece no aglomerado humanóide, e, como o encontro; em fração de segundos; o desencontro.
Nunca mais aquele semáforo será mesmo.
Saudades prematuras.
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Crônicas e Contos
Microconto #134
Embaixo do velho chapéu, um corpo tão cansado, deixava em dúvida quem sustentava quem.
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Microcontos
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